PORQUE TREINAR PULL UPS FORÇA ANTES DE FAZER KIPPING?CROSSFIT

Postado em 29/07/2016
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PORQUE TREINAR  PULL UPS COM FORÇA, ANTES DO KIPPING?

O kipping é uma forma de auxilio no pull ups, é impressionante ver um atleta realizar mais de 50 pull-ups consecutivos em um movimento circular fluido. Apesar disso expor alunos iniciantes ao kipping não parece a forma mais eficiente de melhorar seu condicionamento físico.

Primeiro é importante deixar claro que não há nada de errado com o kipping em si, usar momento para realizar movimentos com menor necessidade de força muscular localizada é componente dos mais variados esportes e deve ser incorporado na rotina de fitness da população, o problema do kipping é quando ele entra como uma muleta para que os atletas sejam capazes de realizar um movimento sem a força e estabilidade necessárias para isso.

FUGINDO DA PARTE DIFÍCIL

Não é raro ver praticantes de academia fazerem uma dezena de barras sem nunca esticarem completamente os cotovelos, mas falharem ao tentarem uma repetição com amplitude de movimento completa, isso acontece pois os músculos do corpo humano trabalham como alavancas, o que faz com que eles não tenham a mesma eficiência em todas as posições.

O kipping permite que os atletas compensem essa falta de eficiência muscular com impulso, isso é bem comum na parte de baixo do pull-up e na transição do muscle-up. Diminuir o desgaste nesses momentos não é ruim, mas não desenvolver força nesses momentos impede que os atletas desenvolvam a força necessária para progressões mais complexas e para que consigam realizar mais repetições do mesmo movimento.

ESTABILIDADE E MOBILIDADE

Pesquisas realizadas com ginastas indicam que eles chegam a sofrer uma carga de mais de 8 vezes seu peso corporal nos ombros em alguns movimentos dinâmicos na barra.  O estudo foi realizado em ginastas treinados , mas é um exemplo das cargas a que os ombros podem ser expostos. Para suportar esse tipo carga é necessário que as estruturas dos ombros e costas estejam fortalecidas e tenham uma boa mobilidade.

Em muitos casos o kipping faz com que o atleta não desenvolva estabilidade, como no ring dip, onde muitos atletas conseguem subir nas argolas através do impulso do quadril, mas não conseguem um lock-out completo com as escapulas deprimidas e os cotovelos virados para trás.

Ginasta em posição de suporte correta, cotovelos completamente estendidos, escapulas deprimidas e ombros rotacionados externamente.


Os kippings nas barras e argolas por outro lado podem expor os ombros dos atletas a uma amplitude de movimento que eles não tem mobilidade para trabalhar, forçando compensações ou danos articulares.

Não é exatamente necessário aprender os movimentos strict antes do kipping por questões de segurança, não há nenhum estudo que prove a segurança de um sobre outro ou que essa progressão possa evitar lesões, porém essa é uma prática que parece estar gerando bons frutos, facilitando a progressão para movimentos com kipping e criando atletas com uma base de condicionamento mais sólido e melhores mecânicas de movimento.


*1 Niu J, Lu X, Xu G, et al: Study on gymnastic rings movements using force measuring system.  In Hong Y, Johns DP (eds): Proceedings of XVIII International SYmposium on Biomechanics in Sports, 2000, pp 72-109